A visão geral

A América Latina está atualmente em um estágio decisivo de sua jornada de transformação digital. À medida que as empresas aceleram seus investimentos em cloud, IA, automação e cibersegurança, a conversa está mudando da ambição digital para resultados mensuráveis.

A pesquisa O Cenário da Transformação Digital na América Latina 2026 explora esses componentes e aprofunda um desafio crítico: a fragmentação tecnológica, marcada por ferramentas desconectadas, dados em silos e complexidade de integração.

Visão rápida

Entrevistamos 1.000 tomadores de decisão de TI e executivos C-level
de pequenas e grandes empresas no Brasil, México, Colômbia,
República Dominicana e Chile.

Dentre eles, 250 respondentes eram do Brasil, atuando em setores como BFSI (bancos, serviços financeiros e seguros), varejo, manufatura, educação, TI, entre outros.

Maturidade da Transformação Digital

Progresso centrado em plataformas, mas desafios legados persistem

Entre as organizações, a maturidade da transformação digital varia amplamente, sem que um único modelo dominante se destaque.

Nos mercados latino-americanos pesquisados, 30% dos respondentes descrevem sua infraestrutura como predominantemente de sistemas legados, ou seja, uma infraestrutura majoritariamente local (on-premises) e composta por sistemas isolados, enquanto outros 30% se enquadram como nuvem em silos operacionais, utilizando múltiplas ferramentas com pouca integração entre elas.

No entanto, o Brasil se destacou como o único mercado em que a fase centrada em plataforma (platform-centric) surgiu como a mais comum entre os respondentes:

Ao contrário da tendência geral, as empresas brasileiras estão na fase centrada em plataformas (platform-centric) de sua jornada de transformação digital:

32 24 16 8 0
20%
22%
32%
25%
1%
Fortemente
legados
Silos
em cloud
Centrado em
plataforma
Orquestrado
por IA
Nenhuma das
alternativas

Os 3 principais desafios que atualmente dificultam a jornada de transformação digital das
organizações brasileiras são:

36%

Garantir a segurança em ambientes cada vez mais complexos

26%

Controlar ou otimizar os custos de infraestrutura

26%

Complexidade na gestão e armazenamento de dados

Quando questionados especificamente sobre os principais motivos pelos quais as iniciativas digitais não atingem as expectativas:

Escassez de habilidades e talentos especializados
37% Escassez de habilidades e talentos especializados
Falta de colaboração entre diferentes áreas da empresa
36% Falta de colaboração entre diferentes áreas da empresa
Limitações de infraestrutura
36% Limitações de infraestrutura

Fragmentação vs. Visibilidade Unificada

Plataformas Unificadas Ganham Preferência à Medida que a Complexidade Aumenta

O crescente número de soluções disponíveis no mercado ampliou as opções para os departamentos de TI e 54% dos respondentes relataram o uso de 11 a 25 soluções para o gerenciamento de suas operações.

Esse número não indica necessariamente uso excessivo, mas torna-se preocupante considerando que este estudo também revelou que a proliferação de ferramentas (tool sprawl - acúmulo de diversas ferramentas de TI) aumentou a complexidade operacional das empresas nos últimos dois anos. Essa tendência foi consistente em todos os países pesquisados, com o Brasil registrando o menor índice, embora ainda significativo.

República Dominicana
México
Chile
Colômbia
Brasil
89%
87%
81%
78%
71%
0 25 50 75 100
Para 38%

dos respondentes, a plataforma unificada continua sendo a melhor abordagem para a transformação digital de longo prazo.

Essa estratégia aparece à frente da alternativa de adotar um stack composto por múltiplas soluções especializadas (best-of-breed).

33% 38% 29%
Stack de múltiplas
soluções especializadas
Abordagem de
plataforma unificada
Combinação
de ambos

Esse cenário de adoção de múltiplas soluções tem um impacto direto nos orçamentos de TI, especialmente na manutenção das operações do dia a dia.

Segundo 63% dos respondentes, os gastos do orçamento de TI destinados à manutenção — ou a "manter as operações funcionando" - superam os investimentos em inovação.

IA, Cibersegurança e Sinergia Interna

A tríade da transformação: prontidão para IA, cibersegurança e sinergia entre negócios e TI

A realidade da IA versus o hype

O movimento AI-ready refere-se a um nível de implementação de IA no qual os processos podem ser otimizados sem exigir um grande esforço adicional por parte da empresa. Nesse sentido,

92%

dos entrevistados afirmaram que suas empresas estão preparadas para a IA.

92% Preparada para IA 6% Nem preparada, nem despreparada 2% Não está preparada para IA

Apesar disso,

62%

das empresas enfrentam dificuldades para transformar investimentos em IA em retornos mensuráveis para os negócios.

Essa percepção também varia entre tomadores de decisão das áreas de negócios e de TI. Os líderes de negócios têm maior probabilidade de afirmar que medir os resultados da IA tem sido difícil (66%), em comparação com (54%) dos tomadores de decisão de TI que compartilham da mesma opinião.

89%

dos respondentes revelaram que a fragmentação tecnológica limitou a capacidade de suas empresas de escalar iniciativas de IA.

0% 50% 100%

Cibersegurança e preparação para riscos

As empresas estão sentindo o impacto das ameaças cibernéticas, com 56% dos respondentes relatando que suas organizações sofreram mais ataques bem-sucedidos em 2025 em comparação com anos anteriores.

56% sim, sofreram mais ataques
44% Nenhum aumento

O uso de IA generativa em conjunto com a cibersegurança é uma preocupação para pelo menos 74% dos respondentes.

Preocupação das organizações com o uso de IA generativa em relação à cibersegurança:

74%

Mais preocupados

11%

Aproximadamente o mesmo nível de preocupação

15%

Menos preocupados

Alinhamento interno

Para 90%

dos respondentes, os tomadores de decisão das áreas de negócios e TI estão alinhados em relação às prioridades da transformação digital.

Entre a liderança,
57%

concordam que simplificar e unificar o stack tecnológico é uma prioridade estratégica compartilhada entre os departamentos de negócios e TI.

A diferença mais significativa de percepção está entre os tomadores de decisão das áreas de negócios e de TI.

Enquanto
42% dos líderes de negócios não concordam com a unificação
79% dos líderes de TI acreditam que essa é a melhor opção.

Os resultados indicam que as organizações estão entrando em uma fase mais madura da transformação digital, na qual o sucesso dependerá cada vez mais do alinhamento entre a estratégia de negócios e a execução de TI.

Conclusão

A jornada de transformação digital do Brasil reflete um mercado que busca equilibrar modernização e complexidade operacional. Embora as organizações estejam avançando em direção a ambientes centrados em plataformas e acelerando investimentos em IA, nuvem e cibersegurança, muitas ainda enfrentam desafios relacionados a sistemas fragmentados, aumento das demandas de manutenção e dificuldade em medir os resultados de negócios gerados pelas iniciativas digitais.

Os resultados sugerem que o sucesso da transformação no longo prazo dependerá cada vez mais da capacidade das organizações de simplificar seus ambientes tecnológicos, fortalecer o alinhamento entre as equipes de negócios e TI e construir ecossistemas digitais integrados, seguros e escaláveis, capazes de apoiar tanto a inovação quanto a eficiência operacional.