Os dados mais valiosos não podem ser medidos

Em um mundo de passos, sequências e pontuações, será que estamos nos tornando, em primeiro lugar, pontos de dados e, em segundo, pessoas?

A maioria de nós começa o dia não prestando atenção em como nos sentimos, mas verificando o que nossos dispositivos pensam de nós. Antes mesmo de sairmos da cama, um monitor de sono nos diz como descansamos, logo antes de nos lembrar de quantas mensagens não lidas nos aguardam. Um relógio nos lembra quantos passos demos até agora, como se o dia só se tornasse real quando começa a nos medir. É estranho como isso agora parece natural. Sem perceber, permitimos que os números se infiltrassem nos cantos mais comuns de nossas vidas.

Se grande parte de nossas vidas se apresenta como números, o que acontece com as partes de nós que nunca chegam a aparecer em um painel de controle?

A ascensão do “eu quantificado”

Não foi nossa intenção nos tornarmos planilhas ambulantes. Isso aconteceu aos poucos...

Uma pulseira fitness aqui. Um aplicativo de orçamento ali. Uma notificação do tipo “você está em uma sequência de 27 dias” que nos dava uma pequena medalha de dopamina.

Em um mundo que muitas vezes parece opressor, os números oferecem uma sensação de conforto. Eles nos deram algo mensurável a que nos agarrar, algo que parecia progresso mesmo quando a vida parecia caótica.

Mas então, quase sem aviso, os empurrões úteis se transformaram em juízes silenciosos.

Um dia que teria parecido perfeitamente bom de repente parece decepcionante porque uma meta não foi atingida. Uma semana que incluiu conversas significativas, momentos de aprendizado ou gentilezas inesperadas de alguma forma parece menos produtiva porque uma barra não atingiu sua meta.

Pessoas transformadas em Perfis  

Quando nos afastamos dessas experiências pessoais, o panorama se torna ainda mais revelador. As escolas usam painéis de controle para avaliar os alunos. Os empregadores avaliam as pessoas por meio de análises de desempenho. As plataformas sociais criam perfis com base em padrões de comportamento. Bancos e agências resumem os indivíduos em números de crédito, categorias ou faixas de risco. Todos esses sistemas dependem fortemente de dados, mas a maioria deles tem dificuldade em captar a natureza complexa, contraditória e profundamente humana das pessoas que tentam medir.

Cada dado, por si só, parece inofensivo, mas, juntos, eles começam a nivelar nossa individualidade. Eles criam uma versão de nós que parece perfeita na tela e incompleta na realidade.

Quando a vida se torna uma série de métricas, começamos a nos ajustar para parecer bem dentro dessas métricas. As pessoas passam a agir por desempenho, em vez de viver. Trabalhamos de maneiras que se alinham com o painel de controle, em vez de com nossos pontos fortes mais profundos. Nós nos esforçamos para manter sequências de resultados, mesmo quando nosso corpo pede descanso.

A parte de nós que os dados não conseguem ver

A ironia é que alguns dos aspectos mais significativos do ser humano são completamente imensuráveis. Um dispositivo pode medir um aumento na frequência cardíaca, mas não consegue compreender um momento de admiração. Ele pode registrar as horas trabalhadas, mas não a criatividade ou a intuição. Pode registrar as mensagens enviadas, mas não o calor de uma conversa. Mesmo os sistemas mais sofisticados têm dificuldade em interpretar as nuances que moldam nossas decisões, nossos relacionamentos e nosso senso de propósito.

Apesar disso, muitas pessoas começam a internalizar essas métricas externas como parte de sua identidade. O número de seguidores passa a influenciar a autoestima. Uma pontuação em um aplicativo parece um julgamento de caráter. Uma queda na produtividade é vista como um fracasso pessoal, em vez de uma flutuação natural. Essa mudança tem um custo emocional real; leva as pessoas a se compararem constantemente, buscando validação de sistemas que não conseguem realmente enxergá-las, e a se sentirem exaustas mesmo quando parecem bem-sucedidas na tela.

No entanto, o objetivo não é rejeitar os dados por completo. Os dados podem ser incrivelmente poderosos quando usados com intenção e empatia. A verdadeira oportunidade está em ver os dados como um ponto de partida, e não como um veredicto. Os números podem fornecer sinais, mas não devem substituir o julgamento humano.

Mais do que números

Talvez a lição mais importante seja que a vida não precisa ser medida para ter sentido. Ao voltar àquela cena matinal com as notificações e os rastreadores, imagine fazer uma pausa por um instante. Imagine perceber algo que não está sendo monitorado, como o silêncio do quarto, ou o pensamento que surge em sua mente antes que o mundo invada seu espaço. Esses momentos não rendem pontos. Não podem ser registrados em gráficos e, no entanto, muitas vezes são os que contêm mais verdade.

Os números podem nos ajudar a compreender partes de nós mesmos, mas nunca capturarão tudo o que somos. Talvez compreender isso seja o primeiro passo para resgatar nossa humanidade.

Artigo original: https://www.manageengine.com/blog/general/the-most-valuable-data-cant-be-measured.html

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