Privilege Creep: o risco invisível de permissões acumuladas no Active Directory
Um funcionário inicia na empresa no setor financeiro e recebe acesso aos sistemas e grupos necessários para executar suas atividades. Alguns meses depois, muda de área e passa a trabalhar em TI. Novas permissões são adicionadas, mas os acessos antigos continuam ativos.
A situação parece simples, mas imagine-a se repetindo várias vezes ao longo da carreira de um funcionário. Uma mudança de departamento, uma promoção, a participação em um projeto específico ou até uma responsabilidade temporária podem gerar novas concessões de acesso que vão se acumulando, sem revisão e revogação.
Em ambientes como o Active Directory, esse acúmulo pode ficar escondido entre grupos, funções e permissões atribuídas ao usuário. Por isso, para entender o problema, passaremos por alguns conceitos importantes neste artigo: Privilege Creep, Least Privilege e Zero Standing Privileges (ZSP).
Como o Privilege Creep acontece no Active Directory?
O problema geralmente não começa com uma concessão de acesso incorreta, já que cada permissão pode fazer sentido no momento em que foi atribuída. A falha é mantê-la quando não há mais necessidade.
O resultado é o Privilege Creep, quando uma conta acumula permissões ao longo do tempo e passa a ter privilégios muito maiores do que os necessários para sua função atual.
Imagine um usuário que começa no financeiro e pertence aos grupos A e B. Depois de alguns meses, ele é transferido para a área de TI e passa a fazer parte dos grupos C e D. Se os acessos anteriores não forem removidos, essa conta passa a carregar permissões relacionadas a duas funções diferentes.
O mesmo pode acontecer quando alguém assume uma responsabilidade temporária, participa de um projeto ou muda de cargo. Com o tempo, a conta deixa de ter somente as credenciais necessárias para a função atual daquele profissional e passa a carregar um histórico de acessos que nunca foi completamente revogado.
Esse cenário é especialmente relevante no Active Directory, em que grande parte dos acessos é gerenciada por meio de grupos. O acúmulo de permissões passa a ser invisível, principalmente se a equipe monitora os grupos de forma manual, exigindo que um técnico periodicamente revise e exclua concessões expiradas.
Quando uma conta legítima passa a representar um risco?
Uma conta legítima, com excesso de permissões, passa a representar um risco quando é comprometida.
Uma senha roubada ou uma sessão comprometida, além de dar acesso ao ambiente para o invasor, pode permitir que um atacante utilize todos os recursos aos quais aquela identidade já tem permissão.
A Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA) dos EUA documentou um exercício de red team, realizado em agosto de 2026, em que os participantes obtiveram acesso inicial a múltiplas workstations, exploraram informações do AD, movimentaram-se lateralmente e chegaram ao controlador de domínio. Em determinado momento, utilizaram contas comprometidas com privilégios de administrador de domínio para se movimentar por diferentes sistemas.
O exemplo acima foi um experimento feito com um red team para entender o nível de defesa de duas organizações, mas poderia ser um atacante real, conseguindo os mesmos acessos. Por isso, o controle de privilégios não pode ser tratado só como uma tarefa administrativa feita periodicamente pela equipe.
Quanto mais permissões uma conta possui, maior pode ser o impacto de seu comprometimento. Isso não significa que toda conta com várias permissões será comprometida. A intenção é reduzir o que um invasor poderá fazer no ambiente caso isso aconteça.
Least Privilege: quanto acesso o usuário realmente precisa?
O princípio de Least Privilege, ou menor privilégio, estabelece que usuários e processos devem receber apenas os acessos necessários para realizar suas atividades. Na prática, a equipe de TI deixa de tentar entender quais acessos esse usuário já possui e começa a pensar em quais acessos ele realmente precisa para executar sua função atual.
É aqui que o Least Privilege ajuda a controlar o Privilege Creep. Se uma pessoa deixa de trabalhar em determinada área, as permissões relacionadas à função anterior devem deixar de fazer parte do seu conjunto de acessos.
A dificuldade é manter essa prática em ambientes grandes. Os casos se acumulam, com pessoas mudando de função, criação de grupos, início e término de projetos, com novas permissões sendo concedidas todos os dias.
Sem um processo contínuo de revisão e, principalmente, de automatização, o acesso que deveria ter sido temporário pode acabar se tornando permanente.
Por que revisar permissões manualmente não resolve?
Uma revisão pontual pode encontrar usuários com permissões desnecessárias, mas o problema volta a existir assim que novas mudanças acontecem.
Também existe a questão da escala. Em ambientes grandes, se torna mais difícil verificar manualmente cada usuário, grupo e permissão e comparar tudo isso com a função atual de cada pessoa.
Por isso, a revisão precisa fazer parte do ciclo de vida das identidades, e não acontecer apenas quando surge uma auditoria, uma suspeita de excesso de acesso ou quando o técnico se lembra da tarefa.
Com o ADManager Plus, isso pode ser feito com campanhas periódicas de certificação de acesso, permitindo que responsáveis revisem as permissões dos usuário no Active Directory. A automação também reduz a dependência de tarefas manuais para remover associações e manter o ambiente atualizado.
Do Least Privilege ao Zero Standing Privileges
O Least Privilege é o ponto inicial para garantir que o Privilege Creep não exista. No entanto, mesmo quando o usuário possui apenas os privilégios necessários, eles continuam disponíveis o tempo todo. É nesse ponto que entra oZero Standing Privileges (ZSP).
O ZSP leva além o conceito de cada identidade possuir apenas os privilégios necessários: ele evita que privilégios elevados permaneçam disponíveis continuamente.
Imagine um administrador que precisa alterar uma configuração no Active Directory. Em vez de manter privilégios elevados durante todo o expediente, ele recebe a elevação necessária para realizar aquela tarefa e, depois, volta ao nível de acesso padrão.
Esse modelo utiliza mecanismos de Just-in-Time (JIT)para conceder privilégios temporários, pelo período necessário e para uma atividade específica. Com a ajuda de ferramentas, como o PAM360 da ManageEngine, a elevação pode ser configurada para ocorrer somente durante a sessão e ser revogada automaticamente após o término do período autorizado.
A diferença pode parecer pequena, mas muda a exposição da conta já que os privilégios elevados não ficam disponíveis quando não são necessários, impedindo qualquer exploração por parte de invasores.
Como automatizar a revisão e o controle de privilégios no AD?
A automação com ferramentas ajuda a transformar os conceitos que exploramos neste artigo em processos contínuos e eficientes.
Com o ManageEngine ADManager Plus, é possível gerenciar usuários e grupos, automatizar mudanças de associação, remover usuários de grupos e criar processos de revisão e certificação de acesso. Ele também estabelece limites de tempo para determinadas associações a grupos, fazendo com que o acesso seja revogado automaticamente após o período definido.
Já oManageEngine PAM360atua diretamente no controle dos acessos privilegiados, seguindo a prática do Zero Standing Privileges, com recursos de elevação Just-in-Time e provisionamento temporário de privilégios.
Assim, as duas soluções podem atuar em momentos diferentes do ciclo de acesso, se complementando: o ADManager Plus ajuda a manter as permissões do Active Directory alinhadas às funções dos usuários, enquanto o PAM360 controla a elevação de privilégios quando uma atividade administrativa realmente exige esse nível de acesso.
Controlar o acúmulo de privilégios exige mais do que limpar grupos uma vez por ano. É um risco invisível que necessita de monitoramento e ação constante da equipe de TI.
Faça um teste gratuito das soluções da ManageEngine, ADManager Plus e PAM360, e experimente como o gerenciamento de grupos e permissões pode mudar a segurança do seu Active Directory.
Nota: Encontre a revenda da ManageEngine certa. Entre em contato com a nossa equipe de canais pelo e-mail latam-sales@manageengine.com.
Importante: a ManageEngine não trabalha com distribuidores no Brasil.