Technical debt em TI: como o acúmulo de sistemas legados vira risco de segurança

No mercado de desenvolvimento de software, velocidade e praticidade costumam andar juntos. Prazos apertados, demandas urgentes do negócio e recursos limitados levam equipes de desenvolvimento a tomar decisões que parecem razoáveis, mas que vão se acumulando lentamente ao longo dos anos.
Essa é a definição de technical debt (dívida técnica, em tradução livre): a necessidade de refazer um trabalho futuramente em decorrência de soluções rápidas no código. Com o tempo, esses códigos tornam-se "intocáveis" porque ninguém sabe exatamente o que representam ou o que pode acontecer em caso de alterações.
Em outras palavras, essas soluções rápidas aumentam a quantidade de sistemas legados, o que abre precedentes para ataques de exploração de vulnerabilidades.
No artigo de hoje, vamos entender como o technical debt funciona em TI e como a ManageEngine pode ajudar a contornar esse cenário.
O que é o technical debt?
O termo technical debt foi criado pelo programador Ward Cunningham nos anos 1990 como uma analogia financeira. A dívida técnica surge quando uma equipe de desenvolvimento opta por uma solução rápida em vez da solução ideal, aceitando que terá de "pagar" essa diferença no futuro com retrabalho.
Na prática, a dívida técnica se manifesta de diversas formas: código duplicado ou mal documentado, arquiteturas que não escalam, dependências de bibliotecas obsoletas, etc. Isoladamente, cada uma dessas decisões parece inofensiva, mas, juntas, elas criam uma base de código frágil e difícil de manter.
O custo de um código de baixa qualidade pode chegar a até US$ 1 milhão por gastos, como rotatividade da equipe e manutenção, segundo estudo da Tricentis. Já o Gartner estima que 40% dos sistemas de infraestrutura em diferentes setores carregam um peso significativo de dívida técnica.
Isso significa que quase metade dos sistemas no mundo corporativo opera com limitações conhecidas, mas que não foram priorizadas no desenvolvimento.
Dívida técnica e sistemas legados: o temporário que se torna permanente
Nenhuma equipe opta por desenvolver sistemas legados, afinal, o cenário mais benéfico para a empresa é construir uma aplicação ou um software que seja utilizado a longo prazo, ainda com segurança e capacidade para novas atualizações necessárias.
No entanto, a falta de visibilidade sobre esses códigos de baixa qualidade faz com que as "soluções rápidas" de desenvolvimento se tornem permanentes. De acordo com um estudo da NTT Data em 2024, cerca de 63% dos bancos globais ainda dependiam de sistemas legados para estarem no ar. E isso não acontece por resistência à inovação: esses sistemas estão tão entrelaçados nas operações diárias que substituí-los torna-se um risco.
Por definição, um sistema legado não é apenas antigo, mas sim um sistema difícil de manter, atualizar, se integrar com outras arquiteturas e, principalmente, difícil de encontrar bons profissionais que consigam entender sua linguagem.
Ainda nessa equação, é preciso pensar na experiência do usuário final. Por mais que os ganhos rápidos sejam importantes para manter-se competitivo no mercado, não é possível calcular como esse código se comportará no futuro.
Um grande acúmulo de mudanças não planejadas ou não documentadas pode acarretar em diversos problemas para quem, de fato, está usando a aplicação, como tempo de resposta muito alto ou interface desatualizada e complexa.
Por que o acúmulo de technical debt é um convite a ataques cibernéticos?
Sistemas legados que acumulam dívida técnica sofrem com três gargalos principais: ausência de patches, fim do suporte dos fabricantes e falta de visibilidade operacional. Quando um sistema deixa de receber atualizações de segurança, ele se torna um alvo.
Considerando que cerca de 40% dos sistemas corporativos operam com alto nível de technical debt, o trabalho dos atacantes é reduzido drasticamente. Em vez de buscar por novas vulnerabilidades, basta mapear aquelas que a empresa esqueceu de atualizar.
As falhas antigas continuam sendo exploradas por anos. Um exemplo é o Log4Shell, vulnerabilidade crítica de Execução Remota de Código (RCE) na biblioteca Log4j, descoberta em 2021.
Embora a correção oficial tenha sido disponibilizada rapidamente, a dívida técnica impede que muitas empresas consigam mapear e atualizar todos os seus ecossistemas a tempo, mantendo a falha como uma das portas de entrada mais populares para ataques.
Reduzindo a dívida técnica com as soluções da ManageEngine
A abordagem mais eficaz para combater o technical debt, especialmente em organizações com maior dependência de sistemas legados, é a modernização contínua dessas infraestruturas.
Esse ciclo de melhoria e atualização é relativamente simples:
Monitorar sistemas para identificar os pontos mais críticos;
Priorizar as correções com base em impacto de negócio e risco de segurança;
Implementar as mudanças de forma controlada;
Validar os resultados com as mesmas métricas de monitoramento.
É importante destacar que a modernização não significa a substituição completa de um sistema. Em muitos casos, a conteinerização de componentes específicos ou a implementação de APIs pode reduzir significativamente a dívida técnica sem interromper as operações.
Endpoint Central: visibilidade de ativos e automação da gestão de patches
O primeiro passo para resolver a dívida técnica é saber exatamente o que está rodando na rede. O Endpoint Central oferece um inventário completo de hardware e software, permitindo mapear versões desatualizadas e aplicações sem suporte em ecossistemas híbridos (Windows, macOS, Linux e aplicações de terceiros).
Ao automatizar a distribuição e aplicação de patches, a ferramenta elimina o gargalo do trabalho manual e garante que atualizações críticas de segurança sejam aplicadas rapidamente, impedindo que falhas conhecidas continuem expostas por meses.
Vulnerability Manager Plus: identificação e priorização de falhas em sistemas legados
Sistemas que acumulam dívida técnica costumam apresentar centenas de vulnerabilidades conhecidas, o que torna a remediação manual inviável.
O Vulnerability Manager Plus atua na descoberta e priorização inteligente de brechas, identificando desde configurações incorretas até softwares que já atingiram o fim de vida de suporte.
Com uma análise baseada em risco, a solução aponta quais vulnerabilidades devem ser corrigidas imediatamente para evitar ataques, reduzindo a exposição do ambiente.
Applications Manager: monitoramento a nível de código
Diferentemente de soluções que apenas verificam se um sistema está disponível ou não, o Applications Manager oferece um monitoramento profundo, capaz de identificar problemas no nível do código e da infraestrutura.
A partir de recursos como Applications Performance Monitoring (APM), é possível identificar exatamente onde o código está travando ou consumindo recursos de forma desproporcional. Esse nível de detalhe é importante para equipes que lidam com sistemas legados, uma vez que cada mudança pode representar um risco para a saúde da estrutura completa.
Além da análise de código, a ferramenta monitora mais de 150 tecnologias, como servidores, bancos de dados, máquinas virtuais, contêineres e serviços web. Essa amplitude é fundamental para organizações que operam em ambientes híbridos, onde sistemas legados convivem com infraestrutura moderna.
O Applications Manager também oferece métricas quantitativas de desempenho que servem como base para decidir o que precisa ser priorizado. Dessa forma, a equipe passa a trabalhar com dados concretos sobre tempos de resposta, taxas de erro e uso de CPU e memória.
ServiceDesk Plus: governança, CMDB e planejamento da modernização sem impacto
Atualizar ou substituir um sistema legado sem o devido planejamento pode causar indisponibilidade e parada de operações essenciais. O ServiceDesk Plus fornece a camada de governança necessária para organizar o plano de modernização do ambiente de TI.
Por meio da sua CMDB (Configuration Management Database) integrada e dos módulos de gestão de ativos, problemas e mudanças, a equipe consegue mapear as dependências entre aplicações, avaliar o impacto de cada alteração e executar atualizações de forma controlada.
PAM360 e Application Control Plus: controles compensatórios para sistemas "intocáveis"
Em muitos cenários, sistemas legados simplesmente não podem ser atualizados ou desligados no curto prazo devido à complexidade do código e à importância que desempenham dentro do ambiente.
Para esses casos, o PAM360 e o Application Control Plus funcionam como uma camada de controles compensatórios de segurança.
Enquanto o PAM360 protege e monitora o uso de credenciais privilegiadas, impedindo o movimento lateral caso o sistema seja comprometido, o Application Control Plus garante a aplicação do princípio do privilégio mínimo, autorizando apenas a execução de aplicações e processos necessários.
Assim, a empresa consegue isolar o risco do sistema antigo enquanto planeja sua substituição definitiva.
Conclusão
Em algum nível, todas as empresas terão dívida técnica. Isso acontece porque esse fenômeno muitas vezes é inevitável dentro do mercado de desenvolvimento de software. O ponto principal é não deixar que essa dívida cresça ainda mais, ano a ano.
Nenhuma ferramenta de TI elimina a technical debt por si só, mas o conjunto de soluções da ManageEngine oferece os recursos necessários para identificar onde o código precisa ser melhorado, onde a infraestrutura está sobrecarregada e onde as vulnerabilidades estão se acumulando.
A remediação do technical debt é extremamente importante para empresas, uma vez que estamos em um cenário de ataques no qual as vulnerabilidades são conhecidas há anos. É mais interessante investir em correção de códigos mal planejados do que investir o dobro para se recuperar de um ataque cibernético.
Nota: Encontre a revenda da ManageEngine certa. Entre em contato com a nossa equipe de canais pelo e-mail latam-sales@manageengine.com.
Importante: a ManageEngine não trabalha com distribuidores no Brasil.