Vibe Hacking: utilizando o monitoramento unificado para proteger seu ambiente

Nos últimos anos, a inteligência artificial (IA) vem impulsionando uma transformação radical na maneira como as empresas desenvolvem softwares, automatizam processos e aumentam a produtividade. Ferramentas capazes de gerar códigos, criar conteúdos e executar tarefas complexas já estão fazendo parte da rotina corporativa.
Contudo, especialistas em segurança vêm observando um fenômeno crescente e preocupante: o uso de IA como facilitador de ataques digitais. A mesma tecnologia que expandiu o horizonte de possibilidades também está facilitando a vida de muitos cibercriminosos ao redor do mundo.
Neste artigo, você irá entender o que é vibe hacking, qual é o papel da inteligência artificial nos ataques cibernéticos e como combater essa ameaça na sua organização.
O que é Vibe Hacking?
Vibe hacking é o termo usado para descrever a utilização de ferramentas de IA na execução ou na facilitação de ataques cibernéticos. Ele vem da popularização do vibe coding, um tipo de programação em que os desenvolvedores utilizam a inteligência artificial para criar aplicações com pouca ou nenhuma intervenção humana.
Enquanto no desenvolvimento de software a proposta é acelerar a criação de soluções, quando se trata do vibe hacking a lógica é invertida. Criminosos têm descoberto que podem utilizar a IA para acelerar a criação de campanhas de phishing, automatizar reconhecimento de ambientes corporativos e até para desenvolver códigos potencialmente maliciosos.
Um dos pontos facilitadores é que muitas dessas atividades podem ser realizadas por meio de instruções em linguagem natural, o que permite que usuários obtenham resultados que, antes, requeriam conhecimentos avançados em programação.
Continue neste artigo para entender o papel da IA nos ciberataques.
Como a inteligência artificial está transformando os ataques cibernéticos
Como mencionado antes, ataques cibernéticos sofisticados sempre exigiram um conhecimento técnico especializado: era necessário entender o funcionamento das redes, linguagens de programação, sistemas operacionais e métodos de exploração de vulnerabilidades. E, também, poderia exigir uma equipe numerosa para garantir que todas essas áreas fossem executadas perfeitamente.
Relatórios recentes da Microsoft e do Google apontam que grupos criminosos passaram a incorporar ferramentas de IA generativa em diferentes etapas de seus ataques, especialmente em campanhas de phishing, engenharia social e criação de conteúdo fraudulento.
Embora ainda não exista uma métrica consolidada sobre o volume desses ataques, especialistas concordam que a IA está reduzindo a barreira técnica para operações cibernéticas maliciosas.
Modelos generativos conseguem explicar conceitos técnicos complexos, produzir códigos personalizados à necessidade do atacante e adaptar conteúdos para diferentes contextos e públicos.
Na prática, isso significa que esse atacante pode pedir para a IA elaborar golpes altamente personalizados, escrever mensagens convincentes em qualquer idioma e até mesmo automatizar etapas inteiras do plano de ataque.
Essa habilidade de elaboração de golpes personalizados é especialmente perigosa quando levamos em consideração como as ferramentas modernas conseguem adaptar a linguagem, o tom de voz e o contexto para cada vítima.
O que é engenharia social?
Quando falamos sobre crimes cibernéticos, uma técnica em específico é "encontrada" na cena do crime com uma certa frequência. A engenharia social é um método de manipulação que tem como objetivo conseguir informações, privadas ou de grande valor, por meio da persuasão e da confiança.
Na prática, os atacantes utilizam essa técnica para induzir a vítima a agir impulsivamente devido a emoções intensificadas de medo ou empolgação, ou simplesmente criando um enorme senso de urgência.
O estudo Data Breach Investigations Report (Relatório de Investigações sobre Violações de Dados) de 2026 da Verizon relata que, embora algumas coisas tenham mudado nos últimos anos, a engenharia social continua sendo um dos métodos mais comuns de ataques que resultam em violações desde 2018.
A diferença é que a inteligência artificial tornou essas campanhas muito mais eficientes. Confira a seguir como esses ataques funcionam e o papel que a engenharia social exerce neles.
Como funciona o vibe hacking na prática?
Vamos supor que há um criminoso planejando atacar uma empresa do ramo financeiro. Em vez de ele precisar produzir manualmente centenas de e-mails fraudulentos, tudo o que precisará fazer é utilizar a IA para pesquisar informações públicas sobre executivos dessa empresa, identificar seus fornecedores e analisar publicações em redes sociais.
Com essas informações em mãos, a IA é capaz de criar mensagens extremamente convincentes, personalizadas para cada uma das vítimas e adaptadas ao contexto da empresa.
Além disso, com as capacidades de codificação da IA, o criminoso pode solicitar que o modelo gere páginas falsas quase idênticas às originais e produza deepfakes — técnica de IA que manipula vídeos, áudios e imagens — de voz. Ela também é capaz de impulsionar os métodos de engenharia social ao automatizar respostas durante a interação com a vítima e, inclusive, adaptar o golpe caso perceba resistência por parte dela.
Voltando ao cenário inicial, o criminoso, se passando por uma pessoa potencialmente importante para a empresa, dispara um e-mail fraudulento para um funcionário comum, que clica em qualquer link ou baixa um arquivo aparentemente inofensivo.
É nesse momento em que as ferramentas utilizadas pelo atacante entram em ação, comprometendo o dispositivo, roubando credenciais privilegiadas e movimentando-se lateralmente pela rede corporativa.
O resultado é um processo muito mais escalável do que os ataques tradicionais.
Como os criminosos burlam sistemas de segurança das IAs?
Uma pergunta que não pode deixar de ser feita é: como é que os criminosos conseguem burlar as diretrizes de segurança da inteligência artificial para fazer com que cooperem com os ataques?
Os principais modelos de IA disponíveis no mercado hoje possuem mecanismos de segurança que impedem a geração de códigos maliciosos ou conteúdos destinados à prática de crimes. Ou seja, quando um usuário faz esse tipo de solicitação, o modelo tende a recusar ou limitar a resposta.
O que acontece é que alguns criminosos tentam contornar essas restrições por meio de técnicas de manipulação conhecidas como prompt injection. Em vez de solicitar diretamente uma atividade ilícita, eles formulam comandos elaborados para confundir o modelo, a fim de induzi-lo a interpretar a solicitação como uma tarefa legítima, como, por exemplo, uma simulação, um exercício acadêmico ou um teste de segurança.
Por mais que os provedores de IA atualizem constantemente seus modelos para reduzir esse tipo de abuso, nenhuma tecnologia é realmente imune a tentativas de manipulação.
Mesmo quando a IA não fornece instruções proibidas, ela ainda pode ser utilizada para atividades aparentemente inofensivas que, quando combinadas por um usuário malicioso, se tornam em campanhas de phishing e engenharia social mais rápidas, personalizadas e convincentes.
Os ataques que mais crescem com o uso da IA
Apesar da inteligência artificial ainda não ser responsável pela execução direta da maioria dos ataques, ela tem acelerado significativamente etapas críticas das operações criminosas. Entre os ciberataques que mais se beneficiaram da IA nos últimos anos estão o phishing, os ataques de Business Email Compromise (BEC), os deepfakes de voz e vídeo e a produção automatizada de códigos maliciosos.
Segundo a Microsoft e a Google Threat Intelligence, os atacantes estão usando modelos generativos para criar e-mails que são praticamente indistinguíveis de comunicações legítimas. Com isso, eles reduzem os erros gramaticais e adaptam as mensagens ao perfil do alvo, o que aumenta as taxas de abertura e reduz a desconfiança dos usuários.
Outro ataque que ganhou força é o BEC, um tipo de fraude que utiliza o e-mail como um meio para obtenção de informações confidenciais e o comprometimento da integridade dos sistemas de uma empresa.
Ao contrário do phishing tradicional, esse tipo de golpe tenta convencer os colaboradores a realizar pagamento ou compartilhar informações confidenciais. Com o auxílio da IA, os atacantes conseguem reproduzir a linguagem utilizada por executivos da empresa e criar comunicações muito convincentes.
No último ano, alguns ataques de vibe hacking chegaram às manchetes dos jornais e surpreenderam devido ao tamanho do estrago causado. São eles:
O ataque milionário do Claude
Em agosto de 2025, o Claude esteve envolvido em um caso de vibe hacking que resultou em uma extorsão de dados em massa, cujos principais alvos foram hospitais, serviços de emergência e órgãos do governo.
As investigações depois revelaram que as 17 organizações vítimas do ataque foram escolhidas "a dedo", visando causar o máximo de dano possível ao ameaçar a divulgação de dados sensíveis.
Foi relatado que a IA foi responsável pelo roubo de credenciais, análise dos dados roubados para definir quais eram mais valiosos para extorsão e redigia mensagens personalizadas a cada vítima visando maiores chances de pagamento de resgate.
Após o ataque, a Anthropic informou a criação de um sistema de detecção de ameaças treinado para identificar esse tipo de prompt injection continuamente na plataforma, além de compartilhar as informações técnicas com as autoridades, ajudando a evitar que os criminosos migrem para outra plataforma para suas atividades ilícitas.
O deepfake de Hong Kong
Em 2024, criminosos usaram a tecnologia deepfake para aplicar um golpe milionário em uma empresa do ramo financeiro em Hong Kong.
O funcionário informou posteriormente que havia recebido uma mensagem, de quem acreditava ser o diretor financeiro da empresa no Reino Unido, solicitando uma transação sigilosa. Mesmo suspeitando inicialmente que se tratava de um e-mail de phishing, a vítima acabou acreditando na farsa devido a uma chamada de vídeo.
Na reunião, o colaborador disse que reconheceu vários membros da equipe, tanto por aparência quanto por voz. Acreditando que se tratava de uma chamada autêntica, a vítima foi induzida a fazer uma transferência de U$ 25 milhões aos golpistas.
O caso dos sistemas de verificação bancária
Em outro caso ocorrido em Hong Kong, uma organização criminosa utilizou IA para criar imagens falsas capazes de burlar mecanismos de reconhecimento facial utilizados pelas instituições financeiras.
Documentos de identidade roubados, ou dados como perdidos, foram combinados com imagens geradas pela inteligência artificial usada pelos criminosos com o objetivo de abrir contas bancárias em nome das vítimas e realizar dezenas de solicitações de empréstimos.
Segundo a polícia local, cerca de trinta dos 44 pedidos foram aprovados depois que as imagens falsificadas passaram pelas verificações de identidade dos bancos. Esse foi um dos primeiros casos registrados em que deepfakes foram usados para enganar processos automatizados, o que mostra que a IA também está sendo utilizada para atacar sistemas de autenticação, e não só pessoas.
Quais são os riscos da IA sem supervisão?
Essa preocupação não se restringe a invasões e golpes. Um levantamento recente identificou que o envio de informações sensíveis para ferramentas de IA generativa se tornou uma prática comum nas empresas.
O estudo apontou que cerca de 11% dos dados inseridos em plataformas públicas de IA eram confidenciais, incluindo códigos-fonte, documentos financeiros, informações de clientes e propriedade intelectual.
Outro risco está na confiança excessiva depositada nas respostas produzidas pelos modelos generativos. Análises recentes apontam que a popularização do vibe coding também trouxe preocupações acerca da qualidade e segurança dos códigos gerados pelas LLMs (Large Language Models).
Esses dados reforçam a necessidade de políticas de governança para o uso corporativo da inteligência artificial.
Quando desenvolvedores frequentemente aceitam sugestões de código sem validação adequada, isso aumenta a possibilidade de introdução de vulnerabilidades, falhas de autenticação e configurações inseguras em aplicações corporativas.
Quando todo esse contexto é direcionado para fins maliciosos, alguns riscos podem surgir, desde a criação de scripts automatizados até a exploração de vulnerabilidades em larga escala.
O ponto mais preocupante disso tudo é que a IA não precisa ela mesma executar o ataque. Em muitos casos, atuar apenas como um agente facilitador — ao planejar ações, aprimorar estratégias de engenharia social ou automatizar tarefas que antes consumiam muito mais tempo e recursos — pode gerar repercussões e prejuízos o suficiente para parar completamente até mesmo as operações de grandes empresas.
Por que o monitoramento é essencial contra o Vibe Hacking?
Conforme os ataques impulsionados por IA vão se tornando cada vez mais sofisticados, as empresas se veem na necessidade de obter uma visibilidade completa sobre tudo o que acontece em seu ambiente digital.
Muitas dessas empresas ainda estão operando com ferramentas isoladas para monitorar sua infraestrutura, aplicações, redes, endpoints e segurança, o que resulta numa dificuldade de identificação de ameaças que se movimentam em diferentes camadas da operação.
Conforme vimos neste artigo, um ataque baseado em IA dificilmente afeta apenas um componente, pois um e-mail de phishing pode comprometer um endpoint que estabelece comunicações com um servidor externo, gera movimentações incomuns na rede e causa comportamentos anômalos em aplicações corporativas. Se cada uma dessas informações estiver armazenada em ferramentas distintas, a correlação dos eventos acaba sendo lenta demais.
O monitoramento unificado resolve esse problema ao consolidar dados operacionais em uma única visão, o que permite que as equipes de TI e segurança identifiquem rapidamente a origem de incidentes e padrões suspeitos, assim acelerando a tomada de decisões.
Como as soluções da ManageEngine podem ajudar a proteger o meu ambiente digital?
Para garantir a segurança da sua organização, é fundamental contar com uma estratégia que integre visibilidade da infraestrutura, monitoramento contínuo e gerenciamento proativo dos dispositivos.
E é nessa estratégia que as soluções da ManageEngine atuam de maneira complementar, auxiliando as equipes de TI a identificarem rapidamente comportamentos suspeitos, reduzirem vulnerabilidades e responderem a incidentes com mais agilidade.
O OpManager Nexus contribui ao oferecer uma visão unificada de toda a infraestrutura de TI. A solução monitora continuamente redes, servidores, aplicações e dispositivos, identificando anomalias que podem indicar um incidente de segurança ou uma falha operacional.
Ao correlacionar os eventos e centralizar informações em um único console, a solução aumenta a visibilidade sobre o ambiente, reduz o tempo necessário para detectar problemas e fornece às equipes o contexto necessário para que consigam agir de maneira rápida e assertiva.
Essa estratégia é complementada pelo Endpoint Central, que fortalece a segurança dos dispositivos corporativos ao automatizar o gerenciamento de patches, reduzir a exposição a vulnerabilidades conhecidas e controlar a instalação e execução de aplicações.
Em cenários de ataques de engenharia social e phishing, a solução ajuda a impedir a execução de softwares não autorizados nos endpoints, além de manter os sistemas atualizados contra falhas exploradas por cibercriminosos.
Solicite uma demonstração personalizada do OpManager Nexus ou do Endpoint Central para descobrir mais funcionalidades dessas ferramentas!
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Importante: a ManageEngine não trabalha com distribuidores no Brasil.